setembro, 13.
estive impedida de escrever por estar em oймяко́н.
a tinta da caneta congela constantemente, as máquinas se comportam de maneira estranha e a vida fica suspensa e cristalizada quando a temperatura é de cinquenta e dois graus negativos.
a tinta da caneta congela constantemente, as máquinas se comportam de maneira estranha e a vida fica suspensa e cristalizada quando a temperatura é de cinquenta e dois graus negativos.
penso em um novo nome para denonimar o que antes era uma caneta e agora não mais. (não basta a forma.)
equivalente à tinta é o meu sangue, e equivalente à caneta, meu coração. penso em como chamar o que ocupa agora o que antes era o coração.
equivalente à tinta é o meu sangue, e equivalente à caneta, meu coração. penso em como chamar o que ocupa agora o que antes era o coração.
oймяко́н, incrivelmente, significa "água não congelada". em alguns estudos etimológicos coração parece vir do grego kardia que traduz uma idéia de centro, reforçada no português pelo sufixo -ção. para os egípicios, o sangue do coração descia para o útero e gerava vida. os hindus acreditam que a consciência é o coração do hrdayam (hrd = coração + ayam = eu sou) e que seria o centro do que somos autenticamente.
meu coração é a sibéria.