outubro, 26.

[para Matilde]

pois eu nasci numa terra impossível, numa terra onde túneis dizem mais que gente.
nos meus aniversários, meados de outono, me escondia embaixo da mesa e evocava uma taiga.
numa dessas habituais escapadas para debaixo da mesa foi que acabei parando aqui na sibéria e nunca mais saí.
mais tarde concluí que um dos ofícios do homem é fechar e apertar muito os olhos, e ver se continua pela noite velha o sonho truncado na noite moça.
desde então, nunca mais precisei abrir os olhos, pois muitas coisas são descobertas nessa existência e uma delas é que se vê melhor quando está de olhos cerrados.