quis escrever para alguém que tivesse um nome, mas tive medo de ser uma dessas que falam do óbvio cotidiano sombreado de teorias sobre a existência em que nada se revela, apenas se disfarça. quis escrever para alguém que soubesse meu nome para quem sabe me dizer que não sou ana, nem laura, nem pedro, nem sofia, muito menos branca: que petulância é nomear, mas hoje me chamaria gris. ou lunes. quis escrever para alguém numa língua inventada de composições idiomáticas, pois cada língua tem a capacidade de expressar melhor um determinado sentimento, por isso, talvez, que eu fale uma frase com cinco línguas diferentes dentro dela. quis escrever para alguém que não é um pronome pessoal, para alguém que é um rastro de nostalgia de tudo aquilo que nunca aconteceu em tons pastéis sob um céu de moscou em uma vinte e quatro de maio tijucana.