aeroporto de irkutsk, sibéria.
acendo mais um cigarro, se vão uns vinte por dia. força do hábito. dizem que tudo que se faz por vinte e um dias se torna hábito: pois bem, fumei micro cenouras por vinte e um dias e as larguei no vigésimo segundo.
ainda havia um alívio ao acender cigarros quando acendi o cigarro do início dessas linhas. não há mais. e o que fazer com essa nova perspectiva de vida? com dias que só chegam ao fim porque são camuflados com fumaças que encobrem o sol? dias em que por não saber o que é o sol, se fecha os olhos e se pensa coisas cheias de calor.
tenho febre e uma placa de pus na garganta. inflamada, irritada, esburacada. cicatrizes que anunciam as feridas.
o café ficou tão gelado que senti um vômito eminente. está tudo desconfortável, como se os órgãos estivessem alocados em lugares inapropriados. uma dormência na perna esquerda e uma pontada na barriga, lado direito.
etiquetas de roupa coçam. os sapatos me deixam com o pé aberto e sangrando e como explicar que isso impede de andar? não explica, criam-se calos ósseos e sapatos manchados de sangue.
ainda sinto o café gelado queimando toda a garganta. zona neutra. escrevi isso umas dez vezes no caderno que molhou durante uma chuva.
estou sozinha. sozinha na sibéria. gostaria de ser os pássaros das minhas costas. beatriz ou cecília.
acendo mais um cigarro, se vão uns vinte por dia. força do hábito. dizem que tudo que se faz por vinte e um dias se torna hábito: pois bem, fumei micro cenouras por vinte e um dias e as larguei no vigésimo segundo.
ainda havia um alívio ao acender cigarros quando acendi o cigarro do início dessas linhas. não há mais. e o que fazer com essa nova perspectiva de vida? com dias que só chegam ao fim porque são camuflados com fumaças que encobrem o sol? dias em que por não saber o que é o sol, se fecha os olhos e se pensa coisas cheias de calor.
tenho febre e uma placa de pus na garganta. inflamada, irritada, esburacada. cicatrizes que anunciam as feridas.
o café ficou tão gelado que senti um vômito eminente. está tudo desconfortável, como se os órgãos estivessem alocados em lugares inapropriados. uma dormência na perna esquerda e uma pontada na barriga, lado direito.
etiquetas de roupa coçam. os sapatos me deixam com o pé aberto e sangrando e como explicar que isso impede de andar? não explica, criam-se calos ósseos e sapatos manchados de sangue.
ainda sinto o café gelado queimando toda a garganta. zona neutra. escrevi isso umas dez vezes no caderno que molhou durante uma chuva.
estou sozinha. sozinha na sibéria. gostaria de ser os pássaros das minhas costas. beatriz ou cecília.